A perversão pensada por Freud parte da premissa da noção de regressão e fixação da libido segundo a teoria pulsional, apoiada na pulsão de domínio. A sexualidade perversa polimorfa evidenciada na sexualidade infantil foi um caminho que o levou as definições de perversões sexuais, até chegar ao fetichismo como divisor de defesa do Eu calçada na Verleugnung (recusa) da lei simbólica do Nome do Pai.
Lacan através das pegadas de Freud diz que a perversão frente a premissa universal do falo como significante, marca o sujeito em relação ao complexo de castração na estrutura do Complexo de Édipo. Como estrutura clínica, o perverso quer sempre reger uma lei que atinja a satisfação do gozar do corpo do outro, sem nenhum limite.
A Pedofilia é efeito dessa organização edípica, onde o sujeito desafia a lei, porém institui um modo de funcionamento do desejo perverso quando a vontade de gozo aparece como uma verdade da qual só ele sabe e detêm como satisfação plena.
Fani Hisgail: Psicanalista e Dra. em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, 2003. Membro da Associação Livre – SP. Professora do curso: Cultura material: perspectivas Semiótica, Psicanálise e antropologia pela ECA-USP. Autora do livro Pedofilia, um estudo psicanalítico, Ed. Iluminuras, SP, 2007. Organizadora dos livros: 14 Conferências sobre Jacques Lacan (Escuta, 1989), Biografia: Sintoma da Cultura (hacker, 1997), A Ciência dos Sonhos ( Unimarco, 2000), Semiótica Psicanalítica: Clínica da Cultura, organizadoras: Lucia Santaella e Fani Hisgail (Iluminuras 2013)